BIOGRAFIA DE COMPOSITORES
Alfredo Keil (1850/1907) |
Este compositor, que com Henrique Lopes de Mendonça na parte poética, foi o autor do nosso hino nacional, notabilizou-se também como pintor de grande merecimento e cultivou igualmente a poesia. Ocupa lugar de relevo na história da música portuguesa por ter sido o verdadeiro fundador da nossa ópera nacional. As suas óperas "Dona Branca" (sobre libreto de Almeida Garrett) e "Irene" são as primeiras manifestações de uma orientação declaradamente nacionalista. Na "Serrana", ópera que alcançou celebridade nacional, tal característica é mais acentuada ainda, pois o autor não se limitou a tratar assuntos e personagens portugueses mas com a inclusão de motivos populares (cantar ao desafio, toque dos sinos, melodias que sugerem cantigas tradicionais portuguesas) deu-lhe feição profundamente nacional. Foi também a primeira ópera a ser impressa com texto em português. Deste modo, aquela ópera converteu-se num marco importantíssimo nos caminhos da música portuguesa. Alfredo Keil deixou, além das óperas citadas, pequenas composições para piano, melodias vocais, música orquestral e duas cantatas: "Pátria" e "Primavera".
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António Leal Moreira (1758/1819) |
Nasceu em Abrantes. Iniciou os estudos musicais com 8 anos de idade no Seminário Patriarcal, exercendo, já em 1775, as funções de ajudante substituto do Mestre, que era João de Sousa Carvalho. Foi nomeado Mestre de Capela da Patriarcal em 1783. No dia 1 de Fevereiro de 1787 foi também nomeado Mestre efectivo do Seminário e, depois, Mestre da Capela Real. Em 1790 entrou como Director do Teatro da Rua dos Condes. Foi cunhado de Marcos Portugal, pois casou-se com uma sua irmã. Foi o primeiro Director do Teatro de S. Carlos. As contribuições de Leal Moreira mais importantes para o género operático são talvez as pequenas farsas que compôs para o Teatro de S. Carlos, e que a companhia italiana cantou em português. A pesar de seguir o gosto italianizante, cultivou também o estilo e os temas nacionais, não se deixando desenraizar completamente. Escreveu escreveu diversas óperas e muita música sacra. Era da sua autoria a missa executada nas festas da aclamação da rainha D. Maria 1.
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António Luís Miró (1815/1853) |
Nasceu
em Granada a 25 de Julho de 1815. Veio
para Portugal muito novo. Em Lisboa foi discípulo de Domingos Bomtempo e de Fr.
José Marques, começando por ganhar fama de excelente pianista. No entanto, foi
como compositor teatral que ficou mais famoso. Peças suas eram representadas no
Teatro das Laranjeiras, no Teatro de S. Carlos, no Teatro de D. Maria.
Devem-se-lhe também duas missas, matinas e outros trechos religiosos. Em 1849
vai viver para o Brasil, onde acabou por falecer em Maio de 1853. A sua música
está, actualmente, totalmente esquecida.
António Teixeira (1707/1753) |
Nasceu em Lisboa e foi o primeiro bolseiro que o rei D. João V mandou para a Itália a fim de se aperfeiçoar junto dos mestres que ali residiam. Nesta altura contava apenas 10 anos de idade, o que demonstra bem a precocidade das suas qualidades. Escreveu muita muita sacra de que se destaca um Te Deum a vinte vozes e outro a nove vozes com acompanhamento de orquestra. Escreveu ainda cantatas e óperas, podendo salientar entre todas elas a sua "Guerra do Alecrim e da Mangerona", sobre texto literário de António José da Silva, conhecido por O Judeu.
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Augusto Machado (1845/1924) |
Foram seus primeiros professores Joaquim Casimiro e Guilherme Daddi. Aperfeiçoou a sua técnica pianística e como compositor em Paris. De regresso a Lisboa matricula-se no Conservatório Nacional. Virá a ter obras suas representadas no Teatro de S. Carlos e no Teatro da Trindade. A sua ópera mais importante "Laureana" aproxima-se do estilo de Massenet, marcando, de certo modo, uma data histórica na ópera em Portugal, pela sbstituição dos estafados modelos italianos pelos modelos franceses. No entanto, nas suas obras mais tardias, volta a aproximar-se do estilo italiano.
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Carlos Seixas (1704/1742) |
Nasceu em Coimbra e, apenas com 14 anos (logo após a morte do seu pai e professor) tornou-se organista da Catedral da sua cidade. A partir de 1720, com apenas 16 anos de idade, a fama que já alcançara de excelente músico levou-o até Lisboa onde foi nomeado organista e cravista na capela da Corte e da Sé Patriarcal. Para ensinar a sua filha Bárbara, o rei contratou um dos nomes mais conceituados da música italiana, o compositor Domenico Scarlatti. Conta a História que o irmão do rei, o infante D. António, encarregou o famoso músico italiano de ensinar Carlos Seixas. No entanto, assim que Carlos Seixas tocou perante o grande mestre italiano, este verificou que nada tinha a ensinar-lhe, devendo antes aprender com ele. Tornou-se, então o professor da Infanta D. Bárbara que viria a ser rainha de Espanha. Tendo vivido num período em que Portugal sofria profunda influência italiana, a sua obra, apesar de deixar transparecer nela nitidamente tal influência, revela intensa inspiração, sentindo-se até que Seixas teria aproveitado elementos da nossa música popular. Por essa razão é ele apontado como sendo o nosso mais notável compositor do período clássico e uma das mais interessantes figuras da história da música portuguesa. A sua vida foi curta, o que não lhe permitiu legar-nos obra extensa e, ainda por cima, só um número reduzido das suas obras chegou até aos nossos dias, talvez por culpa do terramoto de 1755, que também destruiu a biblioteca musical do palácio real.
Cláudio Carneiro (1895/?) |
Filho e irmão de pintores, é pela música que se sente atraído, estudando violino e composição no Conservatório de Música do Porto. Esteve em França e nos Estados Unidos, onde exerce a sua profissão de compositor. O seu estilo, um tanto sombrio, tende para um classicismo temperado pela inspiração folclórica, o que não exclui a exploração das modernas técnicas de composição, chegando mesmo a ensaiar o dodecafonismo numa das suas obras mais recentes. Compôs músicas de câmara: Trio de cordas, três Quartetos, Trio com piano, Sonata e outras peças para violino e piano, flauta e piano, melodias com piano e harmonizações de numerosas canções populares. Também escreveu música coral. Cláudio Carneiro pertenceu ao extinto Gabinete de Estudos Musicais, da Emissora Nacional e foi Director do Conservatório de Música do Porto. Colaborou em inúmeras revistas.
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Ciríaco Cardoso (1846/1900) |
Iniciou os estudos musicais com o pai também ele músico. Aos 13 anos fazia já parte, como violinista, da orquestra do Teatro de S. João, no Porto. Viajou para o Brasil onde deu inúmeros concertos e dirigiu a orquestra do Teatro Lírico do Rio de Janeiro. Foi regente da companhia lírica do Teatro de S. João e, posteriormente, arrenda o Teatro Baquet organizando e dirigindo uma companhia de ópera-cómica, cujos espectáculos foram interrompidos pelo incêndio de 1888. Compôs operetas que alcançaram bastante êxito.
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Emanuel Nunes (1941) |
Compositor nascido em Lisboa. Começou os seus estudos musicais na Academia de Amadores de Música e, mais tarde, foi para a Alemanha e França para aprofundar os seus conhecimentos musicais. Vive actualmente em Paris onde se dedica a tempo inteiro à composição. Emanuel Nunes utiliza as técnicas actuais da composição musical e tira partido de conceitos como os da melodia e da tonalidade. Obteve já vários prémios, dos quais se destaca o 1º prémio de Estética Musical do Conservatório Nacional Superior de Música de Paris. Foi ainda nomeado oficial das Artes e Letras pelo Governo francês, em 1986, e condecorado com a Ordem Militar de Santiago da Espada, em Portugal, no ano de 1991. Actualmente é professor de composição e de música de câmara em Paris. O seu mérito é reconhecido em todo o mundo, tendo mesmo sido considerado pela crítica musical como "um marcante criador da História da Música".
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Fernando Lopes Graça (1906/1994) |
Estudou no Conservatório Nacional, tendo-se apresentado pela primeira vez como compositor em 1929. Foi professor no Instituto de Música de Coimbra. Frequentou em 1937 a disciplina de Musicologia em Paris e é nessa altura que se dá uma viragem no seu estilo como compositor, passando a sua obra a assumir um cariz nacionalista onde se destacam os aspectos rítmicos, harmónicos e melódicos do folclore português. Em 1940 ganhou, pela primeira vez, o prémio de composição do Círculo de Cultura Musical e em 1941 é um dos fundadores da Sociedade Sonata. Promove a publicação do Dicionário de Música com Tomás Borba e edita uma "Antologia da Música Regional Portuguesa" com Michael Giacometti. Em 1973 reassume as funções de director artístico da Academia dos Amadores de Música e inicia a publicação de "Obras Literárias". Em 1974 preside à Comissão para a Reforma do Ensino da Música.
Francisco António de Almeida (datas de nascimento e morte desconhecidas) |
Foi provavelmente o mais notável compositor português da primeira metade do século XVIII. Fez boa parte dos estudos em Roma, como bolseiro do Rei D. João V, o Magnânimo. Conseguiu harmonizar a complexidade do estilo romano, a leveza do gosto italianizante e os requintes do critério barroco. Produziu muita música sacra. Foi organista e mestre de capela em Lisboa. Escreveu a partitura de diversas óperas, sendo a mais conhecida a que recebeu o título de "La Spinalba". Um outro género sacro em que se notabilizou particularmente Francisco António de Almeida, foi o da oratória. Chegou até nós uma delas "La Giuditta" de 1726 que é, sem dúvida, uma das obras-primas do nosso século XVIII, fazendo lembrar na sua expressividade nobre e intensa as melhores páginas das óperas italianas de Handel.
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Francisco Sá de Noronha (1820/1881) |
Muito cedo se começou a exibir como violinista, mas tendo dificuldade em arranjar colocação nos teatros do Porto, parte para o Brasil. Regressa à Europa em 1850, já com fama de violinista exímio. Em 1854 é regente do Teatro da Rua dos Condes, onde faz representar peças musicadas de sua autoria. Obras suas foram apresentadas nos Teatros de S. João, da Rua dos Condes e Baquet. Voltou uma última vez ao Brasil onde veio a falecer. Além das óperas, e das numerosas peças de teatro musicado, Sá de Noronha escreveu também peças vocais, caprichos, fantasias e variações para violino e orquestra e para violino e piano.
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Francisco Xavier Migoni (1811/1861) |
Foi pianista, compositor e chefe de orquestra. Fez os seus estudos no Seminário da Patriarcal. Foi nomeado professor de piano no Conservatório Nacional, vindo a substituir Domingos Bomtempo na direcção do mesmo. Desempenhou, a partir de 1843, as funções de regente do Teatro de S. Carlos onde fez representar duas óperas de sua autoria. Além de óperas, é autor de uma missa com orquestra, de uma cantata, de uma fantasia de concerto para para piano sobre um tema original e de fantasias para piano sobre motivos de óperas italianas.
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Frederico de Freitas (1902/1980) |
Compositor, chefe de orquestra, musicólogo e pedagogo, nasceu em Lisboa a 15 de Novembro. Concluiu com distinção, no Conservatório Nacional, os cursos superiores de composição, piano, violino e ciências musicais. Foi considerado o introdutor da bitonalidade na moderna música da Península Ibérica. Sempre muito interessado pelos tesouros da música portuguesa, quer popular, quer erudita, harmonizou inúmeras melodias populares e estudou com o bailarino Francisco Graça as danças do povo português. Na sua vastíssima obra, Frederico de Freitas abordou praticamente todos os géneros musicais desde a música religiosa e de ópera, ao teatro ligeiro e música de filmes, da música de câmara concertante à canção para canto e piano. Fundou a Sociedade Coral de Lisboa (1940) que dirigiu até à sua extinção, associação que estreou a sua grandiosa Missa Solene (1940) e representou obras de Handel, Bach, Beethoven, Mendelssohn, Saint-Saens e Viana da Mota. Como pedagogo, foi professor do Centro de Estudos Gregorianos de Lisboa. Durante algum tempo, também exerceu a crítica musical no jornal "Novidades". Como musicólogo, as suas obras encontram-se dispersos por várias publicações periódicas. Ganhou o prémio nacional de composição (1926) e foi distinguido com os prémios Domingos Bomtempo (Emissora Nacional, 1935) e Carlos Seixas (1926).
Hermínio do Nascimento (1890/?) |
Fez os seus estudos musicais no Conservatório de Lisboa, onde veio a ser nomeado professor de Harmonia. Desempenhou esta função até se aposentar. Foi regente do Orfeão Académico de Lisboa, foi subdirector do Conservatório durante o período da vigência da direcção de Viana da Mota, foi professor de Classe de Conjunto, de História da Música na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e foi ainda professor metodólogo de Canto Coral do Liceu Normal de Pedro Nunes, para além de ter feito parte de várias comissões de reforma do ensino artístico e liceal. Foi redactor musical do jornal "O Século", tendo colaborado em várias revistas e publicações. Escreveu óperas, música de cena, uma cantata e numerosas canções e coros a cappella e com acompanhamento orquestral.
Foi organista e compositor da Real Capela da Ajuda, tendo tido a seu cargo a adaptação das óperas de Jommelli para os teatros da corte. Terá estudado em Nápoles, numa altura em que esta cidade era o mais importante centro de formação de compositores de ópera italiana.
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João de Sousa Carvalho (1745/1799) |
Nasceu em Estremoz aos 22 dias do mês de Fevereiro. Iniciou os seus estudos musicais com 8 anos de idade no Colégio dos Santos Reis Magos em Vila Viçosa. Em 1761 parte para Nápoles como bolseiro da Coroa. Regressou a Portugal em 1767, tendo-se tornado professor de contraponto e, mais tarde, primeiro Mestre de Capela do Seminário Patriarcal, onde teve por discípulos António Leal Moreira e Marcos Portugal. Os críticos e investigadores da música portuguesa classificam-no como o nosso melhor compositor de óperas deste período, apesar de aquele que foi seu discípulo, Marcos Portugal, se ter tornado no mais afamado devido à projecção que a sua obra alcançou no estrangeiro.Em 1778, João de Sousa Carvalho sucedeu a David Perez como professor dos Infantes, com o salário de 40.000 réis e direito a usar carruagem, passando a controlar todo o aparelho de produção musico-teatral da Corte. Este músico escreveu óperas e outras peças de teatro musicado (serenatas, pastorais...). É de capital importância, no panorama da ópera portuguesa, a sua ópera cómica "O Amor Industrioso". No domínio da música religiosa também teve produção valiosa. A sua música para cravo, se bem que dentro de formas já ultrapassadas na época, é também de muito merecimento.
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João Domingos Bomtempo (1775/1842) |
Nasceu em Lisboa, filho de um italiano e de uma portuguesa de ascendência austríaca. Em 1795 foi designado como primeiro oboé da Real Câmara. Esteve em Paris e Londres onde prosseguiu, com sucesso, a carreira de concertista e compositor. Foi em Paris que o compositor lusitano terminou a composição do Requiem "à memória de Camões" Op. 23. Regressou definitivamente a Portugal em 1820, após a proclamação da constituição, transformando-se no compositor oficial do novo regime. Em 1822 Bomtempo abre a primeira assinatura da Sociedade Filarmónica. Apesar do esforço, esta Sociedade não teve senão uma actividade irregular e com interrupções devido às vicissitudes políticas do primeiro Regime Constitucional. Criado o Conservatório de Música - que substituiu o Seminário da Patriarcal, instituído por D. João V em 1713 - foi Bomtempo nomeado seu Director (1834), lugar que ocupou até à sua morte e onde desenvolveu uma notável acção pedagógica. Na vasta obra de João Domingos Bomtempo contam-se, entre outras obras, 2 sinfonias, 6 concertos para piano, 2 cantatas, 1 série de quintetos e de sextetos de cordas e importantes composições corais sinfónicas, como a Missa de Requiem à memória de Camões. Manteve-se toda a vida fiel ao ideal Liberal. É o nosso maior vulto musical do período romântico.
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João Guilherme Daddi (1813/1887) |
Nasceu
no Porto, onde iniciou os seus estudos musicais e aos 9 anos já se
apresentava a tocar em público no Teatro de S. Carlos em Lisboa. Aprendeu também
canto. Com 12 anos estreia-se como compositor e chefe de orquestra, dirigindo
uma cantata comemorativa do aniversário de D. João VI. A vida não lhe corre
favorável durante a contra-revolução miguelista, pelo que reaparece na cena
musical portuguesa, em 1833 compondo um solene Te Deum para festejar o
desembarque de D. Maria II em Lisboa. Em 1839 faz uma digressão por Espanha,
França e Inglaterra. A consideração que Daddi desfrutava na capital como
pianista aumentou ainda mais, aquando da estada em Portugal de Liszt. Este
escolheu Daddi para com ele executar uma obra a dois pianos, num dos seus
concertos na capital portuguesa. Compôs óperas-cómicas, uma ópera (que ficou
inédita), uma opereta, fantasias sobre temas de óperas, marchas, valsas, uma
elegia para orquestra, cantatas e colaborou activamente como regente nas
diversas sociedades e academias de amadores. A este compositor se deve o facto
de ter iniciado sessões públicas de música de câmara. A primeira supõe-se
ter sido a 10 de Maio de 1863, no Teatro D. Maria. Foi ainda professor
particular de música e escreveu uma obra teórica “Método teórico e prático
de conhecer os tons de que se compõe a música e a maneira de os formar por
meio de cadências”.
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Joaquim Casimiro (1802/1862) |
Recebeu as primeiras lições de música na Sé de Lisboa. Começou a sua vida profissional como cantor mas, primeiro estudando sozinho e depois com o apoio de D. João VI, conseguiu fazer carreira como pianista e organista. Começou também a compor obras religiosas, como as matinas de Santa Luzia, as de Reis, uma missa e um credo para vozes e orquestra. Mais tarde compõe também dramas, comédias, operetas, mágicas e farsas par os Teatros do Salitre, da Rua dos Condes, do Ginásio, de D. Maria e Variedades.
A sua obra, predominantemente sinfónica, desenvolveu-se de início segundo duas vertentes: a do modalismo com raízes na polifonia portuguesa antiga e a da influência da música popular portuguesa, em especial do Alentejo. A partir de 1962 evolui para um cromatismo bastante livre, chegando a atingir a dissolução da tonalidade. Devemos destacar as suas obras mais importantes: seis sinfonias e três óperas "Viver e Morrer", "Mérope" e "Trilogia das Barcas".
Jorge Peixinho (1940/1995) |
Compositor e pianista, nasceu no Montijo. Após terminar, no Conservatório Nacional, os cursos de Piano e Composição, aprofundou os seus conhecimentos em Roma, Veneza e Basileia. Estagiou na Alemanha e frequentou outros cursos internacionais. Desenvolveu intensa actividade como compositor, pianista, crítico, conferencista e também organizador de concertos. As suas obras têm sido executadas sobretudo em vários países da Europa como Itália, Holanda, Alemanha, Espanha, Inglaterra, Bélgica, Grécia e no Brasil. Foi professor no Conservatório do Porto. É considerado um dos compositores importantes no movimento de renovação que se tem feito sentir na música portuguesa nos últimos tempo.
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J. Viana da Mota (1868/1948) |
É considerado a principal figura da mudança operada nas primeiras décadas do século XX. Nasceu em S. Tomé, ilha do arquipélago de S. Tomé e Príncipe, antiga colónia portuguesa. Com apenas 1 ano, veio viver para Lisboa. Iniciou os seus estudos musicais no Conservatório Nacional onde, em 1882, terminou brilhantemente o curso. Nesse mesmo ano, partiu para Berlim com uma bolsa de estudo, oferecida por D. Fernando II. Foi aluno de Liszt durante algum tempo. Acabou por fixar residência em Berlim, tendo realizado inúmeros concertos por toda a Europa e pela América. Aquando da 1ª Guerra Mundial (1914/1918), o compositor viu-se obrigado a abandonar o país e, graças ao seu grande prestígio, foi convidado para o lugar de professor no Conservatório de Música de Genebra. Regressa a Portugal em 1917, iniciando uma nova etapa da sua vida. Em 1918, é nomeado Director do Conservatório Nacional de Lisboa. Desenvolveu um importante papel como pedagogo, sendo co-autor da reforma de 1919 do ensino no Conservatório, modernizando-o. Dos vastíssimos recitais que deu, fez questão de que parte das receitas revertessem a favor dos alunos com mais dificuldades económicas. Como compositor, a sua importância reside no facto de ter realizado, no domínio da música instrumental, o que Keil havia feito no campo da ópera: música elevada de sentido nacional. Compôs ainda várias peças para piano, música de câmara e música coral-sinfónica, da qual se destaca a "Sinfonia à Pátria".
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Luciano Xavier dos Santos (1734/1806) |
Organista e mestre da Real Capela da Bemposta. Foi músico da câmara do príncipe D. José ( o futuro D. José I) e do Infante D. Pedro (mais tarde, marido de D. Maria I).Distinguiu-se principalmente como compositor de música religiosa: missas, matinas, lamentações, salmos, ofícios de defuntos, Stabat Mater, etc. Escreveu também para os teatros régios um certo número de óperas, cantatas, oratórias, e serenatas, cujas partituras se encontram, pela maioria, noa Biblioteca da Ajuda.
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Luís de Freitas Branco (1890/1955) |
Nasceu em Lisboa no seio de uma família de músicos, filósofos, professores e musicólogos. Revelou, desde cedo, uma cultura muito vasta, sobretudo relativamente à música e à literatura. Começou a compor aos 9 anos de idade, tendo aperfeiçoado os seus estudos, entre os 20 e os 25 anos, em Paris e Berlim. Voltou a Portugal, em 1916, para exercer o cargo de professor no Conservatório Nacional de Lisboa. Fundou e dirigiu a revista Arte Musical e assumiu também a direcção da Gazeta Musical. Compôs obras para piano e órgão, música coral sinfónica, obras orquestrais e música para pequenos grupos de câmara, assim como obras para grupos vocais e de carácter religioso.
Marcos Portugal (1762/1830) |
Foi o mais celebrado compositor português do seu tempo. Iniciou os seus estudos musicais em 1771 quando foi admitido no Seminário Patriarcal, onde estudou composição com Sousa Carvalho, canto e órgão. Em 1785 entrou para Director do Teatro do Salitre, compondo, até 1792, pelo menos 18 farsas, pequenos dramas e elogios ou odes dramáticas, estas para se representarem nos aniversários reais. Em 1792, o compositor parte para Nápoles como bolseiro da Coroa, para completar os estudos musicais. Cedo se torna conhecido como compositor de óperas. Algumas dessas óperas foram até traduzidas para alemão, russo e polaco. Em 1800 regressa a Lisboa tendo sido logo nomeado Mestre da Capela Real e Director do Teatro de S. Carlos. No início de 1811 parte para o Rio de Janeiro, cidade onde compôs especialmente música sacra. Foi 1º director do Teatro de S. João (1813) e depois da independência do Brasil ocupa o cargo do compositor do Imperador (1823). Foi no Brasil que veio a falecer aos 17 de Fevereiro de 1830, como cidadão brasileiro, por ter aderido à independência do Brasil. Pode dizer-se que Marcos Portugal é o compositor português, de todos os tempos, cuja obra (óperas) conheceu uma maior difusão internacional.
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Miguel Ângelo Pereira (1843/1901) |
Nasceu em Barcelinhos, mas veio muito cedo para o Porto onde recebeu as primeiras lições de música de seu pai. Forçado o pai a exililar-se no Brasil, este compositor esteve matriculado no Conservatório do Rio de Janeiro, onde teve por mestre Francisco Manuel da Silva, evidenciando-se como pianista. Em 1863 regressa ao Porto, dedicando-se ao ensino e à composição. Escreveu óperas, um quinteto para piano e cordas, três quartetos de cordas, a cantata "Camões", uma Sinfonia, um Stabat Mater, peças de piano e canções. O seu feitio conflituoso alienou-lhe as simpatias de colegas e amigos e o compositor veio a acabar na miséria e com a razão perturbada.
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Pedro António Avondano (1714/1782) |
Foi violinista da Real Câmara, tendo sido o principal responsável pela reorganização, após o terramoto, da Irmandade de Santa Cecília, a corporação dos músicos de Lisboa. É considerado o nosso principal compositor de música orquestral da segunda metade do século XVIII. Compôs 2 Sinfonias para orquestra de cordas, 3 Concertos para violoncelo e orquestra e diversas Sonatas para cravo e para violoncelo e baixo contínuo. Escreveu ainda diversos Minuetes para 2 violinos e baixo contínuo destinados a bailes que promovia em sua própria casa. Três colecções desses Minuetes foram publicadas em Londres, a expensas dessa mesma colónia britânica.